O self-storage é um dos segmentos mais sólidos do mercado imobiliário dos EUA. O setor de armazenamento gera US$ 35 bilhões por ano, e um em cada cinco norte-americanos utiliza depósitos para guardar seus pertences. No entanto, o setor ainda não atingiu seu limite máximo, e há uma tendência que promete ampliar seu alcance: a subdivisão de edifícios em unidades independentes.
Essa reconfiguração da comercialização dos sistemas de armazenamento não implica a substituição de um tipo de inversor-alvo por outro, mas constitui uma inovação de mercado. Ou seja, uma estratégia pela qual uma empresa introduz uma novidade que permite incorporar novos segmentos. A possibilidade de adquirir unidades de armazenamento e ampliar o investimento de forma progressiva aumenta as alternativas do segmento em termos de custos e, portanto, favorece sua expansão.

Outra característica que contribui para a consolidação desse modelo é seu alto grau de padronização. O condo-storage gera produtos que funcionam de maneira semelhante a uma commodity: as unidades de armazenamento são ativos padronizados, praticamente idênticos entre si e combináveis. Isso as torna bens de fácil entrada e saída no mercado, já que, ao contrário do que ocorre com outros imóveis, sua comercialização depende de sua utilidade objetiva e não de seu apelo subjetivo. Tanto é assim que, em muitas ocasiões, quem adquire esses imóveis não considera necessário conhecê-los pessoalmente antes de comprá-los.
Além disso, assim como as commodities, o self-storage é cada vez mais procurado por investidores que buscam construir carteiras diversificadas. Em contextos de volatilidade financeira, ganham relevância estratégias como as propostas pelo modelo de alocação de Yale, segundo o qual uma carteira bem-sucedida deve destinar pelo menos 20% a ativos alternativos. Diversos cálculos indicam que essa fórmula pode até dobrar os retornos apresentados pelas carteiras tradicionais.
O “condo-storage”, aliás, tem demonstrado capacidade de gerar lucros ainda maiores do que os oferecidos pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, ativo historicamente escolhido por quem deseja minimizar riscos e garantir ganhos. Por exemplo, as unidades de armazenamento comercializadas pela empresa BAS Storage, do empresário argentino Marcos Victorica, geraram, em um período de dez anos, mais do que o dobro do lucro produzido por esses títulos no mesmo período.

O próprio Victorica, que estará presente nos dias 13 e 14 de agosto na Expo Real Estate Argentina, afirma que uma das chaves para o sucesso desse setor reside em sua dependência do crescimento da produção, e não do crescimento populacional. Enquanto os EUA continuarem sendo um dos países mais produtivos do mundo, continuarão gerando um excedente a ser armazenado, e o setor de self-storage manterá sua trajetória ascendente. Os depósitos são bens profundamente enraizados na cultura norte-americana, tão necessários para o país quanto os aeroportos e as rodovias.
O “condo-storage” não representa apenas uma reconfiguração dentro do setor, mas também um novo leque de possibilidades para o investidor moderno.
Fonte: Ambito
