Encontrar oportunidades na desaceleração: dicas para investir no mercado imobiliário dos EUA

A disputa entre o governo Trump e oFederal Reserveé praticamente uma constante desde 2018. O capítulo mais recente dessa história teve como protagonista o secretário do Tesouro,Scott Bessent, que afirmou que, devido às altas taxas impostas pelo FED, alguns setores da economia norte-americana poderiam estar em recessão. Especificamente, o secretário destacou que essa política afeta especialmente omercado imobiliário.

De acordo com relatórios do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos (HUD), por volta de julho de 2025, as vendas de casas novas registraram uma queda de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas de imóveis usados caíram cerca de 2,5% mensalmente. No entanto, o mercado imobiliário é um mercado composto por diversos segmentos, e nem todos apresentam o mesmo nível de determinação em relação ao crédito de varejo que caracteriza o setor residencial. Omercado imobiliário comercial, e especificamente o de self storage, possui algumas características que o tornam uma aposta amplamente vantajosa nesse contexto.

De fato, o ciclo de altas taxas de juros, volatilidade financeira e desaceleração econômica leva ao retorno da estabilidade como valor estratégico. Após vários anos de turbulência, os investidores buscam previsibilidade, fluxo e respaldo jurídico. Partindo dessa premissa, e com base em análises de consultorias como a Yardi Matrix e a CBRE, é possível afirmar que omercado imobiliárionorte-americano atravessa uma fase de maturidade: o foco já não está na especulação com valorização do capital, mas na geração de rendimento sustentável.

Segmentos como o de self-storage, o imobiliário industrial e os parques logísticos se posicionam como veículos eficientes de proteção e crescimento. São ativos com baixos custos de manutenção, contratos flexíveis e uma demanda estruturalmente sólida, impulsionada pela mobilidade e pelo consumo.

Ao contrário domercado residencial— mais exposto aos ciclos de crédito e às variações de preços —, osetor imobiliário nos Estados Unidosmantémníveis estáveis de ocupação e rentabilidade, mesmo em períodos de ajuste. Um relatório da Cushman & Wakefield indica que a ocupação dos armazéns se mantém em números próximos a 90% desde 2023, o que demonstra que o setor permanece praticamente imune a qualquer indício de desaceleração. Além disso, de acordo com a empresa de pesquisa demercado MordorIntelligence, atualmente o setor gera cerca de US$ 40 bilhões por ano e poderá chegar a US$ 60 bilhões por volta de 2030.

Diante do contexto econômico latino-americano em geral, e do argentino em particular, o dólar se impõe como a ferramenta de proteção por excelência. No entanto, um dólar parado é um dólar perdido, e o objetivo de qualquer poupador ou investidor não deve ser outro senão gerar rendimentos. Quem compreender isso será capaz de enfrentar com sucesso qualquer tipo de cenário.

Marcos Victorica é fundador e CEO da BAS STORAGE

Empresa que está revolucionando o mercado imobiliário americano por meio da criação de um produto baseado na infraestrutura econômica dos Estados Unidos.